domingo, 6 de julho de 2014

I wish I had a love to call mine

É tudo um caos e ao mesmo tempo não é. A sociedade é uma coisa engraçada, te impõe metas e expectativas que se não forem alcançadas prontamente te tacham como um fracasso. Mas eu sempre me pergunto: vale a pena viver uma vida robótica apenas por medo do desapontamento?

Você nasce com uma vida praticamente planejada. Estuda, cresce, faz faculdade, namora, arruma um trabalho, casa, tem filhos, netos e assim por diante. Não que seja culpa dos nossos pais, ou dos pais dos nossos pais, entende? É pragmático. E poucos têm a coragem de quebrar essas barreiras.

Eu me esforço. Na verdade, eu acho que me esforço, mas eu sou só mais um robô pré-fabricado pela sociedade. Aos poucos minhas peças caem, e então eu poderei parar de ver a vida passar como um borrão pelas janelas que são meus olhos. Não há fast-foward ou pause.

A gente sempre está a procura de amor. Seja quem for, onde for. Mesmo em negação ou lá no fundo da nossa caixola. Sortudos são aqueles que já o encontraram. Esses são os mesmos que se arriscaram, viveram. Afinal, ele não irá bater na sua porta ou te acordará com um beijo. Num passe de mágica.

É mágico sim, suponho. E talvez o "amor verdadeiro" te acorde com um beijo. Não como nos contos de fadas, mas talvez ele te desperte da vida robótica a qual você esteja vivendo. Fazer o quê, eu sou apenas mais um clichê. Achando que está dando o primeiro passo de muitos.

Useless

As pessoas continuam me dizendo que eu não sou o problema. Mas não posso evitar que o pensamento contrário surja no fundo da minha cabeça. Eu sei que o mundo tem problemas maiores do que o meus e que talvez a minha existência seja tão insignificante quanto um grão de areia que vem e vai à beira da praia.

Existe um buraco no meio do meu peito que não palavras gentis não podem preenchê-lo. A solução na teoria pode ser fácil, se você olha de fora. É só a ponta do iceberg, há mais por baixo, undercover. E por vezes eu cansei de reclamar pra mim mesmo e dizer que tudo ficará okay. Mas eu estou enganando a mim mesmo.

Como posso eu não ser o problema? Eu sou a fonte de tudo que está errado em minha vida. Se eu não escondesse a verdade dos meus pais, só pra começar. Se eu tivesse voz pra gritar tudo aquilo que me incomoda. Se eu tivesse coragem, tanta coisa teria sido feita. O que é a existência? Sou facilmente apagável.

Estou ficando cansado e preciso de um minuto de coragem insana.

Há várias coisas que eu preciso posso fazer com sessenta segundos. Eu poderia abrir a boca e simplesmente falar (e correr depois) (ou ficar também). Eu poderia morrer e ainda sobrariam segundos. Eu poderia me olhar no espelho com dó de mim mesmo. Eu poderia correr pra bem longe. "And if you have a minute why don't we you go?", como diz naquela música.

Eu não sou realmente feliz, mas quem é? Minha vida é feita de pequenos momentos felizes. Talvez você - que está lendo isso aqui - tenha sido parte de um desses momentos e nem saiba. Eu nem sei mais o que estou falando. Só sei que estou ficando cansado e talvez alguma hora eu não me importe mais em pegar o caminho mais curto.

domingo, 1 de junho de 2014

Alguns "talvez", nós e o amor verdadeiro.

Acho que eu estou enlouquecendo. Cada vez mais eu falo sozinho e me imagino desabafar para meus amigos como se eles realmente estivessem presentes no momento. Mas é apenas imaginação. E o que me dá mais medo é que às vezes eu realmente acredito nessas fantasias. Como se fossem reais, como se fossem memórias.

O que talvez seja realmente a verdade, que eu sou uma pessoa oca. Como uma gaveta vazia. Você espera que ela esteja cheia de roupas e ela aparenta estar, por fora. Mas quando você a abre não há nada além do vazio. Que fica escuro quando é fechada. Sozinha.

Envelhecer me assusta. E eu realmente me sinto depressivo por saber que eu não sou capaz de captar o interesse de alguém. De uma maneira boa. Talvez eu esteja certo desde o começo (quando eu não fazia ideia do quão fundo eu estava falando), no fim da minha vida, eu vou ter estado sozinho. A não ser pelos meus amigos.

Minha vida é cheia de nós. Apertados e possivelmente difíceis de serem desfeitos. E eu os sinto, bem aqui no âmago da minha garganta. E quando eu penso que sei como me livrar deles, não sei. Então eles continuam ali. E eu finjo que não os sinto, às vezes.

Algumas horas atrás  eu estava num casamento. E no altar, quando os noivos se olharam logo após de dizerem seus votos eu senti, pela primeira vez na minha vida o que é amor verdadeiro. Uma coisa que embora eu sempre gritei aos quatro ventos que acredito, nunca havia realmente visto. Ou sabido o seu real significado. Foi naquele momento, vendo-os se olharem com tamanha intensidade que esses nós apertaram mais fundo do que costumam o fazer. E eu chorei.

Chorei por perceber que talvez eu nunca encontre - ou nunca seja encontrado por - alguém que me olhe daquela maneira. Chorei por perceber que embora eu pensasse que havia sentido amor de verdade por alguém, não o senti. Chorei de inveja, por também querer aquilo - o sentimento - pra mim. Chorei apenas para ter uma desculpa pra chorar com a esperança de desatar alguns nós. Não desatou.

Ainda tenho medo. E isso me sufoca.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Love

Uma palavra tão pequena para um significado tão grande.

Para algumas pessoas, expressar o que sentem não é algo complicado. Sentem e declaram isso como água saindo da torneira. Simples. Essas pessoas não tem medo de se colocarem na linha e enfrentam de cabeça erguida.

Outras pessoas lutam com todas as suas forças contra esse sentimento. Sabem que ele está ali, ele é de casa, não vai embora. Cometem muitos erros por sentirem um aperto por dentro. É questão de orgulho? Medo de ser vulnerável em frente a outras pessoas? Talvez seja tudo isso. Talvez não seja nada também.

Pra mim, o amor nunca foi um sentimento tão complexo assim. Sempre fui desses que não pensam duas vezes antes de admitirem o que sentem (para si mesmos) e são capazes de jogar tudo pra cima se sentirem que é o certo. O problema é que toda vez parece certo.

Mas essa palavrinha pequena já causou tanto estrago. E eu não me arrependo, trouxe sempre algo novo consigo. Quando bate na minha porta eu deixo entrar, sempre há lugar. Pra que lutar contra algo que eu sei que não irá embora? Então percorro todo o caminho, como se fosse a primeira vez, e se a rua for sem saída eu entendo. Embora dar de cara com a parede doa, eu dou a volta, respiro e espero vir me visitar de novo.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Uma carta para o passado

Caro garoto que sonha alto e vive no próprio mundo de fantasias, um dia você irá aprender a voar mais alto. A sua vida não será como você desenha. Você irá apagar alguns rabiscos muitas vezes e seus traços, ideias e medos mudarão. Então segure o lápis em uma mão e a borracha na outra.

Você irá se apaixonar. Várias vezes. E acredite: todas elas parecerão o fim do mundo. Eu gostaria de te dizer que irá parar de doer em algum ponto. Mas ainda doerão. Sempre vão doer, cada uma de sua maneira diferente. Mas ei, não deixe de sentir e aprender com todas elas!

Você se apega tão fácil das pessoas que não consegue ver que algumas nem são suas amigas mesmo. O tempo irá te mostrar quem é pra sempre e quem nunca foi. Sem nomes agora. Você joga o jogo tão bem com as suas regras e isso é único, não mude-as.

Saiba que ao longo desse caminho até aqui você terá algumas pessoas que o amarão de verdade, mas você já entendeu porque elas o amam tão puramente? É uma coisa que eu descobri a pouco tempo. É porque você sem perceber as puxa pelos sentimentos. Você as entende, você é de açúcar (por mais que tente não ser). Alguns sorrisos podem mudar seu dia, você verá.

Nunca deixe de acreditar, por mais que tentem te transformar no contrário. Siga a sua intuição. Mas você precisa agir! E quando as luzes se apagarem e você se sentir perdido, coloque aquelas músicas que te fazem sentir aquela sensação na barriga (é claro que você sabe qual é) e deixe-as levar tudo embora.

Alguns ciclos precisam ser encerrados, é assim que funciona. Aproveite cada momento que você tem agora para que hoje tenha somente lembranças que te façam sorrir e rir. Se der pra defender a sua opinião, defenda. Mas nunca deixe de ser quem você é.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

"I just wanna see you be Brave."

A aceitação vem de dentro. Quando a gente sabe o que é e se abraça, as coisas de fora não fazem o menor efeito. A sua pele não coça mais quando todo mundo te olha e você não "desaprende" a andar quando tem que passar pela rua cheia de gente parada.

Felizes são aquelas pessoas que demonstram quem são no interior, mesmo que o frio na barriga esteja a sufocando. Essas pessoas sabem o caminho da felicidade, pois conquistam os seus medos enfrentando-os. Pessoas para nos julgar sempre existirá, mas me diga, qual a influência que elas teriam na sua vida se tais opiniões não fossem mudar nada em quem você é?

Claro que há obstáculos e cada um sabe o momento de capturar seus medos e aprisioná-los lá no fundo de algum buraco bem fundo, mas porque não começar com um pequeno por vez? Aí então você saberá como pular em cima do grandão e será a coisa mais água com açúcar.

Seja a forma como você se vê no espelho, a sua voz, sexualidade ou até mesmo aquela espinha chata que apareceu de manhã. Todos odiamos essas coisas em algum ponto da nossa vida, ninguém é perfeito. A sua voz é mais poderosa do que de qualquer outra pessoa, domine-a.

Música que me fez sentir borboletas e me inspirou a escrever esse texto (que eu relerei pelo resto da minha vida):
 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Segure firme!

Entendi que a vida é como uma montanha-russa. Há os altos, há os baixos, há os momentos de tensão e os momentos de adrenalina que você juraria de pé junto que jamais viveria. Mas (sobre)vive para contar história.

Nesse meio tempo, conhecemos incontáveis pessoas. Algumas ficam (e tão importantes se tornam) de corpo presente ou não. Outras partem e você nem se importa em dizer adeus. É como um dia num parque de diversões lotado: existe todo o tipo de gente. E por mais diferentes, são todos iguais.

É a lei natural da vida, nós crescemos e evoluímos. Aquele amigo que você tinha há dez anos talvez hoje se torne uma mera lembrança que você sorri quando encontra na rua enquanto vai tomar sorvete, casualmente e raras as vezes. Aqueles que juramos amar eternamente te abandona sem mais nem menos. As pessoas são levadas por momentos. Fases.

Quando o carrinho da monta-russa está a toda velocidade você grita, ri e chora. Num sentido bom. Esse momento que você compartilha com aquelas pessoas é único e você acredita que será assim pra sempre, mas não. De repente a curva muda. Assim, abruptamente e te pega de surpresa e aquelas pessoas que riam com você agora experimentam uma sensação ruim na boca do estômago e você já não é mais "tudo aquilo" para elas.

Aí o carrinho desce e seus sentimentos vão junto, você sente que nada será mais o mesmo - e realmente, não será! Quando vê a subida logo a sua frente, você se prepara, coloca a armadura e segura firme. Quando chega no topo, pode ser que o desconhecido ao seu lado no carrinho não seja mais tão desconhecido assim e vocês descem a toda velocidade juntos.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

"A pessoa que foge quando você está na pior, não merece o seu melhor."

Minha janela está fechada e há chuva lá fora. Lê-se "eu fechei meu coração para poupar meus sentimentos". É bem isso mesmo, alguma hora passa. Pode ser daqui uma semana, um mês ou dois, mas eu tenho certeza que passa. Prometi para mim mesmo que dessa vez eu não iria sofrer. De maneira alguma. O que tinha que acontecer, aconteceu. Foi um daqueles amores, sabe? Aqueles que você não consegue controlar direito.

Vai ver era pra ser isso mesmo. Vai ver eu nunca fiz parte da sua vida, do jeito que você fez da minha. Eu só martelo aqui na minha cabeça: "Como? Quando? E, vai acabar assim?" Acredito que no mínimo eu mereço uma explicação. Não? Enfim, é assim. Num dia tudo são flores, você aprende a cantar aquela música que não gosta muito, você sorri para todo mundo e no outro a chuva cai forte e você fecha a janela porque está te incomodando.

Ultimamente minha melhor companhia tem sido eu mesmo. Percebi que preciso cuidar de mim e resolver meus caminhos antes de querer ter alguém como você do meu lado. Não como você exatamente. Não. Não há ninguém como você. "A pessoa que foge quando você está na pior, não merece o seu melhor." Você correu. Se me amasse realmente o bastante teria ficado, não teria procurado jardins mais verdes. A questão é, eu venho em primeiro lugar agora. Ponto.

Eu não preciso de você. Aliás, é como você me disse "eu mereço alguém melhor". Não estou sendo negativo, eu desejo à você tudo de bom e fico até feliz por você estar aí e eu aqui. Sabe, eu não me arrependo de nada do que fiz. Tudo é aprendizado e se não fosse por isso continuaria aqui, perdido (mais). Agora eu sei onde quero ir e o que eu preciso agora para chegar lá.

Caminhos

Lá vem o menino
Fingindo ser certinho
Fingindo entender o mundo,
mas não entende nem a si mesmo.

E lá vem o garoto
Com seu sorriso maroto
Bastou apenas piscar o olho
Para fisgar o menino, perdido.

Menino e garoto,
Amam um ao outro
Tropeços e segredos contados
Almas conectadas pela eternidade.

E o menino perdido continua
Achando que agora se entende
Achando que o mundo o entende
Com tudo preparado então
Para com o garoto enfim ficar.

E lá vai o garoto
Para colo de outro
Surpreende o menino
Que fica a pensar
Que vida injusta, será?

Menino e garoto
Perdido e maroto
Almas conectadas, caminhos não mais
Garoto maroto, sorri para outro
Menino perdido, sorri para si
Que tempo bom virá.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

A influência lunar

O relógio grita quinze para as cinco da manhã, de domingo. Logo o sol irá nascer e toda a monotonia dos meus dias se repetirá de novo. A minha mãe pode aparecer a qualquer momento à beira da minha porta com a expressão tomada pelo sono mandando-me dormir, o que eu deveria ter feito há algumas horas. Esqueça tudo o que eu disse antes sobre me sentir livre para um novo começo. A questão é que eu não estou, não sei quando vou estar. Me sinto emocionalmente instável, mas estou aprendendo a manter o frio aqui dentro - e não é no bom sentido.

Eu sou uma pessoa lunar. Não, eu não sou maluco (talvez), eu apenas funciono melhor quando a Lua está no céu. Existe alguma coisa na noite que me desperta, me move e me faz querer fazer todas as coisas que eu tenho desejo de fazer. Algumas pessoas não entendem isso e pouco me importa. Deve ser o silêncio, a energia que a madrugada carrega me transborda vitalidade.

Seis minutos para as cinco agora e ainda estou longe de dormir. Sei que quando deitar a cabeça no travesseiro muitas lembranças farão questão de surgir e eu como sempre irei fantasiar maneiras de tê-las feito de maneira diferente. Bem, eu sei que não há nada que eu possa fazer para mudar o passado. Não irei poetizar nada sobre ter o poder de mudar o futuro e todo aquele blá blá blá clichê que você pode ler em praticamente todos os meus escritos. O relógio grita. Eu preciso dormir, lidar com as emoções e seguir em frente.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Novas perspectivas

Alma leve, finalmente encontrando o seu caminho. Meus pés aprenderam que primeiro devem caminhar, antes de correr e meus olhos não refletem mais a bagunça que estava aqui dentro. Não sinto mais aquela sensação de cama desarrumada e corpo sem tomar banho, sabe? Agora está tudo claro, e o que não está irá ficar.

Eu só queria escapar, fugir de tudo e de mim. Eu ficaria bem, dançaria no escuro e ficaria sem fôlego por me divertir sozinho. Mas correr nunca foi a solução. Eu entendi que tenho coisas mais importantes na minha vida do que um amor, por exemplo: eu. Antes de me doar para um pessoa que precisa que de alguém, antes de pular do penhasco e antes de ser atingido pelo carro eu darei a mão para mim mesmo. Meu riso será espontâneo.

Agora eu quero aproveitar meus dias. Fazer coisas novas e adquirir experiências diferentes, entende? A minha cama é bem confortável, mas o dia lá fora grita alto e em bom som. Criatividade. Sempre há alguma coisa nova lá fora, há alguns passos de distância. Reclamar não ajuda, sorrir sim. Já parou pra pensar que o seu sorriso para um desconhecido na rua pode mudar o dia daquela pessoa? Você sabia que consegue transmitir felicidade? A sua energia flui. Aquela música que você gosta toca nos fones de ouvido e sua aura brilha, isso muda o seu dia e o dia de alguém também, porque não? Minha alma anda aprendendo e descobrindo que sair da minha caixinha é algo bom. Tentando.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Um grito no escuro. A chuva lá fora.

O cheiro do café dominava o lugar mal iluminado e calmo em que Danie estava naquela tarde. Mas ela não se importava, mesmo não gostando de café. A chuva do lado de fora não cessava, cada vez mais forte, cada vez mais fria e era exatamente assim que ela também se sentia por dentro. Ela fitava o ar e nada, pela primeira vez, estava sem pensamentos. Ela apenas sentia o frio, sentada ali. Sozinha.

Uma mulher mais jovem entrou no estabelecimento e foi direto para a mesma mesa que ela estava. Danie sentiu o seu perfume e o frio na barriga aumentou. A mulher sentou-se e olhou em volta, nenhuma das duas disse nada. Danie respirou fundo e olhou em seus olhos. Castanhos. Antes de dizer alguma coisa, ela se lembrou de tudo. Tudo aquilo que vinha reprimindo nos últimos dias.

"Oi, Laura." ela disse finalmente.

"Danie..." a mulher fechou os olhos e manteve-se firme. "antes que você diga alguma coisa. Antes que você insista mais uma vez..." cada palavra flertava com Danie, cada palavra era uma lembrança diferente. Ela já não estava mais ouvindo.

Danie olhava o vento balançar o cabelo de Laura. Elas estavam no píer, juntas. O pôr-do-sol atrás dela fazia com que seus olhos revelassem mais do que queriam. Laura sorria, gargalhava. Estava contando mais uma de suas aventuras. Danie só conseguia observá-la e sorrir. Daqueles sorrisos bobos de gente apaixonada. "Vai, me fala o que tá gritando na sua cabeça!" a moça pegou a sua mão. Mas Danie não podia dizer a ela. "Nada, só estou... Tentando imaginar a cena." Riu. 

"Danie, você merece alguém melhor do que eu." Laura insistia pela milésima vez. "Não vai dizer nada? Como sempre." Balançou a cabeça.

Elas estavam juntas, no sofá da casa de Danie assistindo a um filme qualquer. Laura estava deitava sobre seu colo quase adormecendo. A respiração dela ficou mais calma, ela olhou para cima e sorriu. Danie sorriu de volta, passou a mão pelo cabelo castanho e elas se olharam por alguns segundos. Perdidas um na outra. 

"Você não entende. Essa máscara, você não precisa usá-la comigo." O coração de Danie estava batendo rápido.

"Eu preciso ser assim, Dan. Você não entende, eu vou machucar você."

A barraca azul no meio da mata era pequena, mas o suficiente para que as duas pudessem ficar abraçadas lá dentro. A fogueira queimava do lado de fora e a lua brilhava no céu estrelado. "Podemos fugir assim mais vezes?" Laura disse baixinho. Danie sorriu e a beijou, sem pressa. "Sempre que você quiser." Danie respondeu. Elas ficaram abraçadas pelo resto da noite. Os beijos as conectavam e todo o mundo lá fora desaparecia.

"Dan, eu estou cansada de tentar. As pessoas são vazias e cruéis, precisamos ser também." 

"Não precisamos não. Eu não consigo explicar, Laura." Danie pegou em sua mão. "Quando eu disse que amava você, eu sabia das consequências."

"Eu não posso machucar mais ninguém. Me perdoe, mas não posso deixar que isso aconteça." Ela puxou a mão de volta.

"Laura, entenda! É isso que eu quero, você não está me machucando menos fazendo isso." Elas se olharam. Laura levantou-se da mesa. "Eu amo você. Então seja corajosa, me ame de volta. Só eu e você."

Os olhos de Laura estavam marejados. No fundo, ela sabia que precisava do abraço daquela garota que estava sentada a sua frente. Mas ela era forte e agarrou-se naquilo que criara. "Desculpe." Foi tudo o que pôde dizer. E partiu, na chuva.

O cheiro do café se tornara insuportável. Danie estava mais uma vez sozinha e o vazio era tudo que ela tinha. Ela queria abraçar aquela garota e dizer pra ela que tudo ficaria bem, que elas podiam caminhar torto juntas. Um grito no escuro.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Replay

Nem todas as coisas acontecem como a gente espera. Coloque aquela sua música favorita pra tocar, pode ser nos fones de ouvido, pode ser alto para todos ouvirem e dance. Se perca em você mesmo por pelo menos um minuto. Esqueça todas as suas preocupações. Pode parecer que não ajuda e que você precisa de alguma coisa mais forte para esquecer, mas não. Entregue-se, não tenha medo.

Às vezes o "tarde demais" é a hora certa. Já parou para pensar sobre isso? A coisas dão errado antes de dar certo, os buracos estão no caminho, mas logo a estrada fica melhor. Eu disse melhor e não perfeita. Não vale a pena prender-se em coisas negativas - entenda, isso não é fechar os olhos para os problemas. Eu sou assim, o tipo de pessoa que abre a geladeira pra pensar.

Tem dias que eu acordo com vontade de sair correndo e sem destino. É eu gosto disso. Gosto de gente que ri sem motivos, que abraça do nada e que pede "licença" e diz "obrigado". Esse tipo de gente que que te diz "eu te amo" e se mantém fiel a isso mesmo que esteja ali, rindo com outra pessoa, e você entende isso porque você confia. Essas pessoas que trocariam uma festa por filme e sorvete numa sexta-feira com você. Gente que se importa e demonstra.

O passado nos torna mais fortes, aprenda com ele. Quero amores inteiros e não paixonites pela metade. Se você sente alguma coisa, deixe crescer. É o ciclo da vida! Existem cores claras, manhãs frias e sabores doces, assim como existem cores escuras e sabores amargos. Você é o seu pior inimigo. De que adianta você levantar da cama e lavar o rosto, com esperanças de que a sua alma seja lavada junto se o seu medo de se deixar levar ainda está na cama, aterrorizado pela luz. Deixe brilhar. Ame, divirta-se e depois, se algo ou alguém te quebrar, junte os pedaços e comece tudo de novo. Dê um replay na música.

Rascunho

Tudo o que eu escrevo é pra você.
Às vezes não é, mas se torna sobre você no final. De alguma forma.
Não há remédio para as minhas lembranças, até mesmo aquelas que nunca aconteceram.
Elas me assombram me dizendo que tudo ficará bem.
É assim que acontece. Esse é o jogo.

Podemos nos apaixonar, mais uma vez?
Acho que isso implicaria com o fato de nunca termos nos desapaixonado. Ou você sim?
A folha ainda está escrita à lápis. Podemos reescrever tudo, usar o passado como rascunho.
Por favor meu amor, não cometa o meu erro de deixar os seu medo te machucar.

Agora há uma ponte nos separando. Eu estou tentando atravessá-la.
Você ainda estará do outro lado esperando por mim?
O tempo está correndo, o tempo anuncia a chuva - ou será que já está a chover?
A folha carrega o nosso rascunho. Eu não desejo jogá-la fora.

Eu posso sentir a sua dor.
Você a encobre, mas eu ainda consigo senti-la. Me deixe te ajudar a levá-la para longe.
O pôr-do-sol está indo embora. Ele combina tanto com os seus olhos.
Me dê a sua mão, vamos reescrever tudo de novo.
Podemos caminhar por essa ponte juntos, lado a lado.
Mesmo que ela chacoalhe, não deixarei de segurar a sua mão.

Eu ainda tenho uma caneta, e o papel escrito à lápis.
Você gostaria de reescreve-la?
Nós não precisamos passar a borracha naquela história.
Você prefere escrever em um papel novo?
Por favor meu amor, não amasse-o e jogue fora.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Clichê adolescente

Estava tudo dando certo. Eu havia superado um coração partido, pessoas maravilhosas estavam entrando na minha vida e tudo indicava que eu faria a faculdade dos meus sonhos. Parei de passar noites em claro revivendo conversas que uma vez me fizeram sorrir - outrora chorar - e hoje me fizeram crescer. O frio já não me incomodava mais, aliás, havíamos nos tornado grandes amigos; eu lhe soprava meus segredos e ele os levava para bem longe de mim. Acordar de manhã não doía mais daquele jeito.

Eu conheci alguém e por mais que eu estivesse lutando para que não me apaixonasse de novo, aconteceu. É engraçado essa parte, porque ele literalmente vai contra aquela imagem de cara-perfeito-que-eu-quero-para-a-minha-vida que a gente sempre vê nos filmes da Disney. Mas ele se encaixava no vazio que eu tinha aqui dentro - e que alguns outros só estiveram de passagem, ocupando espaço. Clichê adolescente, se apaixonar pelo cara ao contrário de você, mas é, eu não ligo.

Parecia que finalmente a minha vida estava ficando perfeita. Até que eu me acomodei demais. Às vezes as pessoas não entendem o que se passa na minha cabeça. Eu tento da melhor maneira possível ser calmo, e eu sou, eu gosto de gentilezas e essas coisas que só se vê em filmes - porque aliás, eu acredito no "se você quer ver a mudança, seja a mudança" -, mas o que as pessoas não percebem é que os meus pensamentos não param, eles correm e às vezes falam tão alto que eu mesmo não consigo me escutar. Foi então que eu estraguei tudo. Não gosto de reclamar da minha vida para os outros, prefiro rabiscar tudo num papel e deixar queimar com o fogo. Problemas familiares todos têm e os meus começaram a aumentar. Minhas inseguranças com o meu corpo voltaram. Não passei no vestibular. Virei babá - as vezes enche o saco. E aquele garoto que eu me apaixonei, se foi.

Uma semana e eu continuo voltando. Está tudo desmoronando aos poucos, as pessoas vêm e vão com uma frequência maior do que antes. Eu perco algumas noites de sono, mas eu não me importo em ver o sol nascer, pelo menos isso ninguém pode tirar de mim. Eu sinto que poderia ter feito mais e eu sei que posso fazer mais. Todo mundo erra, todo mundo fica tão perdido em si mesmo que não consegue sair da sua zona de conforto. O destino é engraçado, ele prega peças na gente e eu não acredito mais que devamos deixá-lo decidir o que acontece em nossas vidas. Quer? Faça acontecer. Demorei pra enxergar o que era preciso. Antes eu me sentia cheio, sufocado... Mas na verdade eu mesmo me sufocava. Agora eu me sinto vazio. Falta ele. Por quê tem que faltar ele?

O meu velho amigo, o frio, você se lembra dele? É, ele me ensinou que tudo vem e vai. Essa tempestade de coisas ruins passarão, mas só depende mim. Só eu sei controlar a tempestade que há dentro de mim e de fato aos poucos ela começou a passar. A vida não pára para ninguém, aquelas pessoas que eu pensei que haviam ido, não foram. Descobri que tenho mais pessoas para me segurar, caso eu caia, do que para me empurrar. Os problemas com os meus pais vão indo também, só dependem que eu os varra para fora de casa. A faculdade que eu tanto sonhei só foi adiada mais um pouquinho. E as noites em claro... Continuam em claro. Minhas inseguranças aprenderam a ficar em seus lugares e não me incomodam mais como costumavam e agora eu só consigo pensar nele. Eu gostaria de ir lá, bater na porta de sua casa e dizer que tudo o que eu preciso é dele. Que aquele espaço que ele ocupava aqui dentro, ainda é dele. Que eu estou aqui por ele e mesmo com o céu nublado e prometendo tempestade eu sairia de casa e me molharia por ele.

Ei destino, você não me controla mais!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

“Antes um único amigo verdadeiro do que mil amigos falsos”

Eu faria de tudo pelos meus melhores amigos. Tudo mesmo, porque no final do dia ou quando eu não estou bem são eles que me aguentam reclamar do quão inútil eu me sinto. Não me refiro à um monte de amigos, mas sim daqueles 6 que estão comigo para o que der e vier há anos. Me refiro principalmente aos 3 que dariam a vida por mim, que eu daria a minha vida.

J brigou com o namorado mais uma vez alguns dias atrás e eles se separaram. Aparentemente o menino teria traído ele, o que me deixou mais putíssimo da vida. Odeio. Traição. Isso eu não perdoo. Eu quis socar tanto a cara do menino, que extravasei tudo no Twitter quando eles voltaram - ele não traiu, segundo J. Pode talvez não ter sido a melhor decisão da minha vida, mas o menino revidou e a gente discutiu ali mesmo.

Foi a primeira vez que eu senti que perderia meu melhor amigo. Não quero nem me lembrar, uma das piores sensações do mundo pra mim. De todos os meus amigos, o J é o mais importante. Ele me ajudou quando ninguém mais pode, ele brigou com garotos que me fizeram mal, ele me apoiou em decisões que eram claramente terríveis e ele é meu refúgio. É possível que o refúgio de alguém seja uma pessoa e não um lugar? É. Com toda a certeza.

Foi com ele que eu tomei meu primeiro porre, num shopping. Não me arrependo, são lembranças felizes. Essa é a única amizade que eu não abriria mão, por nada, por ninguém. Não importa se eu tenho um namorado, não importa se meus pais me trataram bem o dia todo, não importa se eu cometi o maior erro da minha vida, não importa nada; ele vai me aceitar do jeito que eu sou.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Tão eu que me irrita.

O desafio do Staying Strong de hoje é enfrentar um sentimento que você tem evitado nos últimos tempos. Bem, eu tenho evitado muito admitir que eu me sinto uma estátua viva. Eu achei que nesse novo ano eu conseguiria mudar - ainda há tempo! -, mas eu não consigo. Por mais que há vontade de sair correndo atrás de tudo o que eu quero, há também a insegurança e o medo de no final ficar sozinho. Ser rejeitado. Ignorado. Deixado de lado. Olhado torto.

L me disse que se eu quero que dê certo eu tenho que agir de acordo, não esperar demais. Só que eu não sei se consigo dar conta, de um relacionamento a dois agora. Eu mal dou conta de mim e das minhas neuras! Tenho tanto medo de abrir o jogo pra ele quanto a tudo isso e acabar perdendo-o. Eu gosto tanto dele que sou capaz de tentar, e vou. Mas será que há mais alguém capaz de me amar lá fora? Caso os meus medos venham a se tornar realidade?

Eu não estou pensando "quem será o próximo?", porque afinal, eu gosto é dele e é com ele que eu quero ficar, mas eu estou tão acostumado com relacionamentos à distância via internet que a parte física, as atitudes ficam faltando. E eu tenho medo, muito medo, de não ser capaz de aguentar os sentimentos que virão depois. Eu estou falhando comigo mesmo.

Mudar por mim. É isso que eu devo fazer.
E procrastinar essa mudança é tão eu, que me irrita.