terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Clichê adolescente

Estava tudo dando certo. Eu havia superado um coração partido, pessoas maravilhosas estavam entrando na minha vida e tudo indicava que eu faria a faculdade dos meus sonhos. Parei de passar noites em claro revivendo conversas que uma vez me fizeram sorrir - outrora chorar - e hoje me fizeram crescer. O frio já não me incomodava mais, aliás, havíamos nos tornado grandes amigos; eu lhe soprava meus segredos e ele os levava para bem longe de mim. Acordar de manhã não doía mais daquele jeito.

Eu conheci alguém e por mais que eu estivesse lutando para que não me apaixonasse de novo, aconteceu. É engraçado essa parte, porque ele literalmente vai contra aquela imagem de cara-perfeito-que-eu-quero-para-a-minha-vida que a gente sempre vê nos filmes da Disney. Mas ele se encaixava no vazio que eu tinha aqui dentro - e que alguns outros só estiveram de passagem, ocupando espaço. Clichê adolescente, se apaixonar pelo cara ao contrário de você, mas é, eu não ligo.

Parecia que finalmente a minha vida estava ficando perfeita. Até que eu me acomodei demais. Às vezes as pessoas não entendem o que se passa na minha cabeça. Eu tento da melhor maneira possível ser calmo, e eu sou, eu gosto de gentilezas e essas coisas que só se vê em filmes - porque aliás, eu acredito no "se você quer ver a mudança, seja a mudança" -, mas o que as pessoas não percebem é que os meus pensamentos não param, eles correm e às vezes falam tão alto que eu mesmo não consigo me escutar. Foi então que eu estraguei tudo. Não gosto de reclamar da minha vida para os outros, prefiro rabiscar tudo num papel e deixar queimar com o fogo. Problemas familiares todos têm e os meus começaram a aumentar. Minhas inseguranças com o meu corpo voltaram. Não passei no vestibular. Virei babá - as vezes enche o saco. E aquele garoto que eu me apaixonei, se foi.

Uma semana e eu continuo voltando. Está tudo desmoronando aos poucos, as pessoas vêm e vão com uma frequência maior do que antes. Eu perco algumas noites de sono, mas eu não me importo em ver o sol nascer, pelo menos isso ninguém pode tirar de mim. Eu sinto que poderia ter feito mais e eu sei que posso fazer mais. Todo mundo erra, todo mundo fica tão perdido em si mesmo que não consegue sair da sua zona de conforto. O destino é engraçado, ele prega peças na gente e eu não acredito mais que devamos deixá-lo decidir o que acontece em nossas vidas. Quer? Faça acontecer. Demorei pra enxergar o que era preciso. Antes eu me sentia cheio, sufocado... Mas na verdade eu mesmo me sufocava. Agora eu me sinto vazio. Falta ele. Por quê tem que faltar ele?

O meu velho amigo, o frio, você se lembra dele? É, ele me ensinou que tudo vem e vai. Essa tempestade de coisas ruins passarão, mas só depende mim. Só eu sei controlar a tempestade que há dentro de mim e de fato aos poucos ela começou a passar. A vida não pára para ninguém, aquelas pessoas que eu pensei que haviam ido, não foram. Descobri que tenho mais pessoas para me segurar, caso eu caia, do que para me empurrar. Os problemas com os meus pais vão indo também, só dependem que eu os varra para fora de casa. A faculdade que eu tanto sonhei só foi adiada mais um pouquinho. E as noites em claro... Continuam em claro. Minhas inseguranças aprenderam a ficar em seus lugares e não me incomodam mais como costumavam e agora eu só consigo pensar nele. Eu gostaria de ir lá, bater na porta de sua casa e dizer que tudo o que eu preciso é dele. Que aquele espaço que ele ocupava aqui dentro, ainda é dele. Que eu estou aqui por ele e mesmo com o céu nublado e prometendo tempestade eu sairia de casa e me molharia por ele.

Ei destino, você não me controla mais!

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