quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Um grito no escuro. A chuva lá fora.

O cheiro do café dominava o lugar mal iluminado e calmo em que Danie estava naquela tarde. Mas ela não se importava, mesmo não gostando de café. A chuva do lado de fora não cessava, cada vez mais forte, cada vez mais fria e era exatamente assim que ela também se sentia por dentro. Ela fitava o ar e nada, pela primeira vez, estava sem pensamentos. Ela apenas sentia o frio, sentada ali. Sozinha.

Uma mulher mais jovem entrou no estabelecimento e foi direto para a mesma mesa que ela estava. Danie sentiu o seu perfume e o frio na barriga aumentou. A mulher sentou-se e olhou em volta, nenhuma das duas disse nada. Danie respirou fundo e olhou em seus olhos. Castanhos. Antes de dizer alguma coisa, ela se lembrou de tudo. Tudo aquilo que vinha reprimindo nos últimos dias.

"Oi, Laura." ela disse finalmente.

"Danie..." a mulher fechou os olhos e manteve-se firme. "antes que você diga alguma coisa. Antes que você insista mais uma vez..." cada palavra flertava com Danie, cada palavra era uma lembrança diferente. Ela já não estava mais ouvindo.

Danie olhava o vento balançar o cabelo de Laura. Elas estavam no píer, juntas. O pôr-do-sol atrás dela fazia com que seus olhos revelassem mais do que queriam. Laura sorria, gargalhava. Estava contando mais uma de suas aventuras. Danie só conseguia observá-la e sorrir. Daqueles sorrisos bobos de gente apaixonada. "Vai, me fala o que tá gritando na sua cabeça!" a moça pegou a sua mão. Mas Danie não podia dizer a ela. "Nada, só estou... Tentando imaginar a cena." Riu. 

"Danie, você merece alguém melhor do que eu." Laura insistia pela milésima vez. "Não vai dizer nada? Como sempre." Balançou a cabeça.

Elas estavam juntas, no sofá da casa de Danie assistindo a um filme qualquer. Laura estava deitava sobre seu colo quase adormecendo. A respiração dela ficou mais calma, ela olhou para cima e sorriu. Danie sorriu de volta, passou a mão pelo cabelo castanho e elas se olharam por alguns segundos. Perdidas um na outra. 

"Você não entende. Essa máscara, você não precisa usá-la comigo." O coração de Danie estava batendo rápido.

"Eu preciso ser assim, Dan. Você não entende, eu vou machucar você."

A barraca azul no meio da mata era pequena, mas o suficiente para que as duas pudessem ficar abraçadas lá dentro. A fogueira queimava do lado de fora e a lua brilhava no céu estrelado. "Podemos fugir assim mais vezes?" Laura disse baixinho. Danie sorriu e a beijou, sem pressa. "Sempre que você quiser." Danie respondeu. Elas ficaram abraçadas pelo resto da noite. Os beijos as conectavam e todo o mundo lá fora desaparecia.

"Dan, eu estou cansada de tentar. As pessoas são vazias e cruéis, precisamos ser também." 

"Não precisamos não. Eu não consigo explicar, Laura." Danie pegou em sua mão. "Quando eu disse que amava você, eu sabia das consequências."

"Eu não posso machucar mais ninguém. Me perdoe, mas não posso deixar que isso aconteça." Ela puxou a mão de volta.

"Laura, entenda! É isso que eu quero, você não está me machucando menos fazendo isso." Elas se olharam. Laura levantou-se da mesa. "Eu amo você. Então seja corajosa, me ame de volta. Só eu e você."

Os olhos de Laura estavam marejados. No fundo, ela sabia que precisava do abraço daquela garota que estava sentada a sua frente. Mas ela era forte e agarrou-se naquilo que criara. "Desculpe." Foi tudo o que pôde dizer. E partiu, na chuva.

O cheiro do café se tornara insuportável. Danie estava mais uma vez sozinha e o vazio era tudo que ela tinha. Ela queria abraçar aquela garota e dizer pra ela que tudo ficaria bem, que elas podiam caminhar torto juntas. Um grito no escuro.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Replay

Nem todas as coisas acontecem como a gente espera. Coloque aquela sua música favorita pra tocar, pode ser nos fones de ouvido, pode ser alto para todos ouvirem e dance. Se perca em você mesmo por pelo menos um minuto. Esqueça todas as suas preocupações. Pode parecer que não ajuda e que você precisa de alguma coisa mais forte para esquecer, mas não. Entregue-se, não tenha medo.

Às vezes o "tarde demais" é a hora certa. Já parou para pensar sobre isso? A coisas dão errado antes de dar certo, os buracos estão no caminho, mas logo a estrada fica melhor. Eu disse melhor e não perfeita. Não vale a pena prender-se em coisas negativas - entenda, isso não é fechar os olhos para os problemas. Eu sou assim, o tipo de pessoa que abre a geladeira pra pensar.

Tem dias que eu acordo com vontade de sair correndo e sem destino. É eu gosto disso. Gosto de gente que ri sem motivos, que abraça do nada e que pede "licença" e diz "obrigado". Esse tipo de gente que que te diz "eu te amo" e se mantém fiel a isso mesmo que esteja ali, rindo com outra pessoa, e você entende isso porque você confia. Essas pessoas que trocariam uma festa por filme e sorvete numa sexta-feira com você. Gente que se importa e demonstra.

O passado nos torna mais fortes, aprenda com ele. Quero amores inteiros e não paixonites pela metade. Se você sente alguma coisa, deixe crescer. É o ciclo da vida! Existem cores claras, manhãs frias e sabores doces, assim como existem cores escuras e sabores amargos. Você é o seu pior inimigo. De que adianta você levantar da cama e lavar o rosto, com esperanças de que a sua alma seja lavada junto se o seu medo de se deixar levar ainda está na cama, aterrorizado pela luz. Deixe brilhar. Ame, divirta-se e depois, se algo ou alguém te quebrar, junte os pedaços e comece tudo de novo. Dê um replay na música.

Rascunho

Tudo o que eu escrevo é pra você.
Às vezes não é, mas se torna sobre você no final. De alguma forma.
Não há remédio para as minhas lembranças, até mesmo aquelas que nunca aconteceram.
Elas me assombram me dizendo que tudo ficará bem.
É assim que acontece. Esse é o jogo.

Podemos nos apaixonar, mais uma vez?
Acho que isso implicaria com o fato de nunca termos nos desapaixonado. Ou você sim?
A folha ainda está escrita à lápis. Podemos reescrever tudo, usar o passado como rascunho.
Por favor meu amor, não cometa o meu erro de deixar os seu medo te machucar.

Agora há uma ponte nos separando. Eu estou tentando atravessá-la.
Você ainda estará do outro lado esperando por mim?
O tempo está correndo, o tempo anuncia a chuva - ou será que já está a chover?
A folha carrega o nosso rascunho. Eu não desejo jogá-la fora.

Eu posso sentir a sua dor.
Você a encobre, mas eu ainda consigo senti-la. Me deixe te ajudar a levá-la para longe.
O pôr-do-sol está indo embora. Ele combina tanto com os seus olhos.
Me dê a sua mão, vamos reescrever tudo de novo.
Podemos caminhar por essa ponte juntos, lado a lado.
Mesmo que ela chacoalhe, não deixarei de segurar a sua mão.

Eu ainda tenho uma caneta, e o papel escrito à lápis.
Você gostaria de reescreve-la?
Nós não precisamos passar a borracha naquela história.
Você prefere escrever em um papel novo?
Por favor meu amor, não amasse-o e jogue fora.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Clichê adolescente

Estava tudo dando certo. Eu havia superado um coração partido, pessoas maravilhosas estavam entrando na minha vida e tudo indicava que eu faria a faculdade dos meus sonhos. Parei de passar noites em claro revivendo conversas que uma vez me fizeram sorrir - outrora chorar - e hoje me fizeram crescer. O frio já não me incomodava mais, aliás, havíamos nos tornado grandes amigos; eu lhe soprava meus segredos e ele os levava para bem longe de mim. Acordar de manhã não doía mais daquele jeito.

Eu conheci alguém e por mais que eu estivesse lutando para que não me apaixonasse de novo, aconteceu. É engraçado essa parte, porque ele literalmente vai contra aquela imagem de cara-perfeito-que-eu-quero-para-a-minha-vida que a gente sempre vê nos filmes da Disney. Mas ele se encaixava no vazio que eu tinha aqui dentro - e que alguns outros só estiveram de passagem, ocupando espaço. Clichê adolescente, se apaixonar pelo cara ao contrário de você, mas é, eu não ligo.

Parecia que finalmente a minha vida estava ficando perfeita. Até que eu me acomodei demais. Às vezes as pessoas não entendem o que se passa na minha cabeça. Eu tento da melhor maneira possível ser calmo, e eu sou, eu gosto de gentilezas e essas coisas que só se vê em filmes - porque aliás, eu acredito no "se você quer ver a mudança, seja a mudança" -, mas o que as pessoas não percebem é que os meus pensamentos não param, eles correm e às vezes falam tão alto que eu mesmo não consigo me escutar. Foi então que eu estraguei tudo. Não gosto de reclamar da minha vida para os outros, prefiro rabiscar tudo num papel e deixar queimar com o fogo. Problemas familiares todos têm e os meus começaram a aumentar. Minhas inseguranças com o meu corpo voltaram. Não passei no vestibular. Virei babá - as vezes enche o saco. E aquele garoto que eu me apaixonei, se foi.

Uma semana e eu continuo voltando. Está tudo desmoronando aos poucos, as pessoas vêm e vão com uma frequência maior do que antes. Eu perco algumas noites de sono, mas eu não me importo em ver o sol nascer, pelo menos isso ninguém pode tirar de mim. Eu sinto que poderia ter feito mais e eu sei que posso fazer mais. Todo mundo erra, todo mundo fica tão perdido em si mesmo que não consegue sair da sua zona de conforto. O destino é engraçado, ele prega peças na gente e eu não acredito mais que devamos deixá-lo decidir o que acontece em nossas vidas. Quer? Faça acontecer. Demorei pra enxergar o que era preciso. Antes eu me sentia cheio, sufocado... Mas na verdade eu mesmo me sufocava. Agora eu me sinto vazio. Falta ele. Por quê tem que faltar ele?

O meu velho amigo, o frio, você se lembra dele? É, ele me ensinou que tudo vem e vai. Essa tempestade de coisas ruins passarão, mas só depende mim. Só eu sei controlar a tempestade que há dentro de mim e de fato aos poucos ela começou a passar. A vida não pára para ninguém, aquelas pessoas que eu pensei que haviam ido, não foram. Descobri que tenho mais pessoas para me segurar, caso eu caia, do que para me empurrar. Os problemas com os meus pais vão indo também, só dependem que eu os varra para fora de casa. A faculdade que eu tanto sonhei só foi adiada mais um pouquinho. E as noites em claro... Continuam em claro. Minhas inseguranças aprenderam a ficar em seus lugares e não me incomodam mais como costumavam e agora eu só consigo pensar nele. Eu gostaria de ir lá, bater na porta de sua casa e dizer que tudo o que eu preciso é dele. Que aquele espaço que ele ocupava aqui dentro, ainda é dele. Que eu estou aqui por ele e mesmo com o céu nublado e prometendo tempestade eu sairia de casa e me molharia por ele.

Ei destino, você não me controla mais!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

“Antes um único amigo verdadeiro do que mil amigos falsos”

Eu faria de tudo pelos meus melhores amigos. Tudo mesmo, porque no final do dia ou quando eu não estou bem são eles que me aguentam reclamar do quão inútil eu me sinto. Não me refiro à um monte de amigos, mas sim daqueles 6 que estão comigo para o que der e vier há anos. Me refiro principalmente aos 3 que dariam a vida por mim, que eu daria a minha vida.

J brigou com o namorado mais uma vez alguns dias atrás e eles se separaram. Aparentemente o menino teria traído ele, o que me deixou mais putíssimo da vida. Odeio. Traição. Isso eu não perdoo. Eu quis socar tanto a cara do menino, que extravasei tudo no Twitter quando eles voltaram - ele não traiu, segundo J. Pode talvez não ter sido a melhor decisão da minha vida, mas o menino revidou e a gente discutiu ali mesmo.

Foi a primeira vez que eu senti que perderia meu melhor amigo. Não quero nem me lembrar, uma das piores sensações do mundo pra mim. De todos os meus amigos, o J é o mais importante. Ele me ajudou quando ninguém mais pode, ele brigou com garotos que me fizeram mal, ele me apoiou em decisões que eram claramente terríveis e ele é meu refúgio. É possível que o refúgio de alguém seja uma pessoa e não um lugar? É. Com toda a certeza.

Foi com ele que eu tomei meu primeiro porre, num shopping. Não me arrependo, são lembranças felizes. Essa é a única amizade que eu não abriria mão, por nada, por ninguém. Não importa se eu tenho um namorado, não importa se meus pais me trataram bem o dia todo, não importa se eu cometi o maior erro da minha vida, não importa nada; ele vai me aceitar do jeito que eu sou.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Tão eu que me irrita.

O desafio do Staying Strong de hoje é enfrentar um sentimento que você tem evitado nos últimos tempos. Bem, eu tenho evitado muito admitir que eu me sinto uma estátua viva. Eu achei que nesse novo ano eu conseguiria mudar - ainda há tempo! -, mas eu não consigo. Por mais que há vontade de sair correndo atrás de tudo o que eu quero, há também a insegurança e o medo de no final ficar sozinho. Ser rejeitado. Ignorado. Deixado de lado. Olhado torto.

L me disse que se eu quero que dê certo eu tenho que agir de acordo, não esperar demais. Só que eu não sei se consigo dar conta, de um relacionamento a dois agora. Eu mal dou conta de mim e das minhas neuras! Tenho tanto medo de abrir o jogo pra ele quanto a tudo isso e acabar perdendo-o. Eu gosto tanto dele que sou capaz de tentar, e vou. Mas será que há mais alguém capaz de me amar lá fora? Caso os meus medos venham a se tornar realidade?

Eu não estou pensando "quem será o próximo?", porque afinal, eu gosto é dele e é com ele que eu quero ficar, mas eu estou tão acostumado com relacionamentos à distância via internet que a parte física, as atitudes ficam faltando. E eu tenho medo, muito medo, de não ser capaz de aguentar os sentimentos que virão depois. Eu estou falhando comigo mesmo.

Mudar por mim. É isso que eu devo fazer.
E procrastinar essa mudança é tão eu, que me irrita.